Espaço passa a valer mais que localização no mercado

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Morar longe dos grandes centros é uma opção cada vez mais real

O trânsito, a poluição e a violência nas ruas são os principais motivos para que muitas pessoas queiram trocar a vida nas grandes cidades por lugares seguros e tranquilos. O maior impeditivo, no entanto, sempre foi o trabalho, ou seja, o deslocamento de casa para a empresa. Se antes o desejo de morar longe dos grandes centros só era possível na aposentadoria, hoje essa opção é cada vez mais real, principalmente para profissionais em sistema de home office. Testado na pandemia, o home office já se faz sentir no mercado imobiliário. É o que mostra reportagem de Cássia Almeida e Henrique Gomes Batista em O Globo (leia a íntegra).

De acordo com pesquisa realizada pelo IBGE, há um ano eram 1,2 milhão de pessoas trabalhando remotamente, hoje são 8,9 milhões. O movimento já reflete no mercado imobiliário: a venda de casas em condomínios quadruplicou em alguns empreendimentos, e os preços deste tipo de imóveis subiram 20% desde o início da Covid-19 no Brasil.

Com o avanço do home office, incorporadoras como a Bait mudaram seus planos. Em um empreendimento na zona Sul do Rio de Janeiro, incluíram escritório, melhora do fluxo da internet e adoção de reconhecimento facial nas entradas para evitar ao máximo o contato com estranhos. “Com as pessoas ficando mais em casa, revimos os projetos para fazer uma casa mais compartimentada, mais organizada, que permita certa privacidade para trabalhar, com espaço para home office, ou aumentamos o quarto para caber uma escrivaninha”, afirma Henrique Blecher, CEO da Bait.

Porém, existem os que não apontam apenas aspectos positivos nessa mudança de hábito. Segundo Tomas Alvim, coordenador do Laboratório de Cidades Arq.Futuro, do Insper, existem riscos. Para ele, o ideal seria repensar o funcionamento das cidades como mobilidade, horários de pico e as transformar em ambientes mais agradáveis. Seu temor é que tal êxodo agrave mais o que ainda é o maior problema do Brasil, a desigualdade social. Afinal, o privilégio de escapar dos grandes centros para áreas mais espaçosas é apenas para as classes mais favorecidas.

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