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Espremida por prédios, Capela dos Aflitos é herança negra na Liberdade

Igreja de 1779 é mantida há mais de dois séculos pela peregrinação de devotos e por uma associação

 

No Largo da Forca, hoje conhecido como Praça da Liberdade, foram assassinados negros escravizados, indígenas e toda sorte de indesejados.

 

Texto: Estação do Autor com TAB/UOL

Edição: Scriptum

 

Na estreita rua dos Aflitos, no bairro da Liberdade, zona central de São Paulo, se esconde a capela que leva o mesmo nome. Um marco sagrado da história negra no bairro. A “Capela Nossa Senhora das Almas dos Aflitos” foi fundada em 27 de junho de 1779. Ela é mantida há mais de dois séculos pela peregrinação de devotos e por uma associação que administra o lugar.

Leia na reportagem de Marie Declercq para o TAB/UOL a história de um local que, além de abrigar em seu terreno um sítio arqueológico, carrega um legado sombrio nas fundações e paredes em taipa de pilão.

Séculos antes de a Liberdade se tornar um ponto turístico com inúmeras lojinhas e restaurantes japoneses, chineses e coreanos, o bairro foi palco de inúmeras execuções em praça pública. No Largo da Forca, hoje conhecido como Praça da Liberdade, foram assassinados negros escravizados, indígenas e toda sorte de indesejados. Um deles foi o cabo do Exército Francisco José das Chagas, conhecido como Chaguinhas.

 

Eliz Alves luta pela reconhecimento histórico do local.

 

Em 1821 ele foi condenado à pena de morte por liderar a Revolta Nativista. Chaguinhas foi executado três vezes. Nas duas primeiras, a corda se rompeu. Na terceira, o cabo seguiu pendurado, mas ele ainda tinha sinais vitais. Sob gritos de “Liberdade! Liberdade!”, Chaguinhas foi então morto a pauladas e enterrado na Capela dos Aflitos. Desde então, o lugar é destino de inúmeros devotos que compram velas e fazem pedidos ao santo popular.

Eliz Alves, diretora da Unamca (União dos Amigos da Capela dos Aflitos), é uma das que, junto ao coletivo, luta pela reconhecimento histórico do local. Além da venda de velas, a Unamca levanta fundos promovendo eventos culturais para manter o espaço. Não se trata de tarefa fácil. Além de resistir ao avanço do mercado imobiliário, há também uma resistência velada. Chaguinhas não foi canonizado pela Igreja Católica e não pode ser chamado de santo nos panfletos e em qualquer informativo vinculado à capela.


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