Mudanças para São Paulo depender menos de carros

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Especialistas defendem que bons projetos e ações tenham continuidade mesmo quando há trocas no poder executivo. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

 

Todos os dias o paulistano sente na pele o peso do trânsito caótico da cidade. Como em grande parte das metrópoles latino-americanas São Paulo cresceu rápida e desorganizadamente nos últimos 100 anos. Isso impactou diretamente no conturbado trânsito, que requer mudanças imediatas.

Especialistas em urbanismo e mobilidade defendem que a cidade deveria investir em planejamento urbano multimodal, priorizar outras formas de transporte e melhorar a infraestrutura e os serviços fora das áreas centrais. No Estadão, reportagem de Priscila Mengue trata das oito mudanças necessárias, sugeridas por especialistas, para São Paulo depender menos de carros e ter um trânsito melhor (leia a íntegra).

O urbanista Carlos Leite, professor do Insper, do Mackenzie e da Uninove esclarece que as perspectivas de planejamento urbano hoje são outras. “A grande tendência para o século 21, em todo o mundo, é construir ‘cidade para as pessoas’, não para os carros”, aponta o urbanista.

Ele destaca, contudo, que “não há mudança instantânea” nessa área. E, portanto, é importante que os bons projetos e ações tenham continuidade mesmo quando há trocas no poder executivo.

Quatro especialistas ouvidos pelo Estadão sugerem mudanças para ajudar a cidade a depender menos de carros.

Dentre as modificações estão a multimobilidade com sistemas integrados, alteração do cálculo das vias que passe a considerar o volume de pessoas por metro quadrado por hora, e não mais de veículos por hora.

Defendem também que sejam criadas e ampliadas as ofertas de serviços, lazer, trabalho e transporte em deslocamentos curtos, de até um quilômetro, para incentivar a mobilidade ativa (a pé, de bicicleta, de patinete e afins) e evitar grandes deslocamentos, além de políticas públicas que integrem mobilidade e planejamento urbano.

As perspectivas de planejamento urbano hoje são outras. “A grande tendência para o século 21, em todo o mundo, é construir ‘cidade para as pessoas’, não para os carros”, comenta. Ele destaca, contudo, que “não há mudança instantânea” nessa área. E, portanto, é importante que os bons projetos e ações tenham continuidade mesmo quando há trocas no poder executivo.

“Até pouco tempo, dez anos atrás, no máximo, não havia por aqui o conceito de multimobilidade, de integração, de rede. A cidade foi construída num sistema de competição, tudo era muito ruim, demorado, precário, lotado e poluente”, destaca Lincoln Paiva, presidente da consultoria Green Mobility e doutorando em Urbanismo.

Além disso, Luiz Vicente de Mello Filho, professor de Engenharia da Mackenzie e consultor na área de mobilidade, destaca mudanças sociais que devem impactar essa dinâmica. Isso inclui, por exemplo, o envelhecimento da população (que resultaria em menores deslocamentos), o aumento do home office (que ganhou força na pandemia) e a própria redução no interesse de se comprar automóvel.

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