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Nova pesquisa indica que Cabral não desembarcou em Porto Seguro

Estudo publicado no jornal da Universidade de Cambridge defende que os portugueses chegaram no Rio Grande do Norte

Evidências apontariam para um primeiro desembarque na costa do Rio Grande do Norte, entre os municípios atuais de Rio do Fogo e São Miguel do Gostoso.

 

Edição Scriptum com Estação do Autor e O Globo

 

A história do Brasil não para de ser revisada. Ao contrário do que aprendemos na escola e consolidamos como verdade, pode ser que Pedro Alvares Cabral não tenha chegado em terras brasileiras por Porto Seguro, na Bahia. Uma nova pesquisa acadêmica reacendeu o debate sobre o local onde a expedição teria avistado e alcançado o território que viria a ser o Brasil.

Reportagem publicada no jornal O Globo (assinantes) revela detalhes do trabalho que cruza dados da carta de Pero Vaz de Caminha com simulações de navegação e propõe a revisão de uma hipótese histórica.

Segundo os autores do estudo, publicado em setembro no Journal of Navigation, da Universidade de Cambridge, os físicos Carlos Chesman, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e Claudio Furtado, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), as evidências apontariam para um primeiro desembarque na costa do Rio Grande do Norte, entre os municípios atuais de Rio do Fogo e São Miguel do Gostoso.

A hipótese se baseia em cálculos realizados a partir dos dados registrados na carta de Caminha, primeiro documento escrito sobre o Brasil, e em simulações de ventos, correntes marítimas e profundidades do mar ao longo da rota percorrida pela frota. De acordo com esses cálculos, as caravelas teriam percorrido cerca de 4 mil quilômetros desde Cabo Verde até avistar terra firme em 22 de abril de 1500, percurso que, ao considerar as influências naturais da navegação, aproximaria mais o ponto de chegada do litoral do Rio Grande do Norte do que do sul da Bahia.

Para os pesquisadores, o primeiro desembarque descrito na carta teria ocorrido na praia de Zumbi, em Rio do Fogo. O segundo, no dia seguinte, após ventanias que obrigaram os navios a seguir rumo ao Norte, estaria localizado na região conhecida como Praia do Marco, referência a um marco português datado de 1501.

Desde o século passado intelectuais potiguares, entre eles Luís da Câmara Cascudo, levantam a possibilidade de que os portugueses teriam alcançado primeiro aquela faixa do litoral. Outro trabalho frequentemente mencionado é o do almirante Max Justo Guedes, publicado em 1975. Especialista em história naval, Guedes reconstituiu a navegação de Cabral e concluiu que o local descrito por Caminha correspondia à costa baiana, com base em informações sobre as caravelas e suas capacidades. A discussão revela a importância do diálogo entre áreas distintas do conhecimento. A própria publicação do artigo em um periódico renomado demonstra que metodologias das ciências exatas podem contribuir para revisões e novas perguntas sobre eventos históricos.


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