O lado obscuro do TikTok, a rede social chinesa dos vídeos curtos

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TECNOLOGIA

 

 

Quando clicamos, a tela do celular se transforma numa sucessão interminável de vídeos, a maioria com menos de 15 segundos. O aplicativo se chama TikTok, e tem 500 milhões de usuários espalhados pelo mundo inteiro. Em 2019, o app se tornou um fenômeno global. É a primeira plataforma chinesa a conseguir a façanha, outro sintoma da vertiginosa velocidade da inovação tecnológica no gigante asiático. Além do sucesso, porém, sua nacionalidade começa a despertar vozes preocupadas com a segurança dos dados e a liberdade de conteúdo, conforme revela reportagem de Jaime Santirso para a edição brasileira do jornal espanhol El País.

O sucesso do TikTok fez da ByteDance, a empresa criadora, uma das startups mais atrativas do mundo: sua última rodada de financiamento, realizada em agosto de 2018, elevou seu valor a 67 bilhões de euros. A ByteDance iniciou sua trajetória com um agregador de notícias, a plataforma Jinri Toutiao, que usava inteligência artificial para adaptar seu conteúdo aos usuários. Mas seu diretor-geral, Zhang Yiming, logo reorientou seus interesses. Em 2016 Yiming lançou o Douyin, um aplicativo de vídeos curtos que alcançou 100 milhões de usuários em menos de um ano. Menos de um ano mais tarde, a ByteDance comprou, por US$ 1 bilhão (4,2 bilhões de reais), o Musical.ly, um app parecido e muito popular entre os adolescentes dos EUA. Dessa sinergia nasceu o TikTok.

Mas o Douyin não desapareceu. TikTok e Douyin, plataformas similares, convivem – somando um bilhão de usuários – de forma paralela. O primeiro só é acessado no exterior. E o segundo dentro da China, para cumprir com a política de censura imposta pelo Partido Comunista. Esse vínculo é fonte de muitas preocupações, relacionadas com a segurança dos dados dos usuários e com a liberdade de expressão.

Em dezembro passado, o Exército dos EUA proibiu seus soldados de terem conta no app, argumentando que seu uso poderia representar uma ameaça para a segurança nacional. Os senadores Tom Cotton e Chuck Summer chamaram os serviços de inteligência para avaliar a atividade do TikTok, alegando que poderia ser obrigado a “apoiar e colaborar com operações de inteligência controladas pelo Partido”, já que “as empresas chinesas não têm meios legais para rechaçar as demandas do Governo.” As suspeitas têm fundamento, a julgar pelos precedentes: neste mesmo ano, o TikTok pagou uma multa de US$ 5,7 milhões de dólares por captar, de maneira ilegal, dados pessoais de menores em sua plataforma. Além disso, numa carta aberta publicada em 2018, seu diretor-geral se comprometeu a “aprofundar a cooperação” com o Partido Comunista de modo a promover suas políticas. O app teve que lidar com vetos temporários na Índia, Indonésia e Bangladesh. Leia aqui a íntegra da reportagem do El País.

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