Ovo vira símbolo da crise alimentar na pandemia

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O baiano Paulo Eneas atende clientes no município de Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

 

Ele é símbolo da fertilidade, da renovação, do renascimento, mesmo na versão achocolatada da Páscoa atual. O ovo, em meio a uma severa crise econômica, é a forma mais acessível, senão a única, fonte de proteína animal para parte da população.

Enquanto as carnes aumentaram até 30%, puxadas pela alta das exportações, o ovo de galinha teve uma inflação de aproximadamente 10% no período da pandemia. Reportagem de Rodrigo Bertolotto, para o TAB da UOL, acompanha a rotina do baiano Paulo Enéas, que há oito anos percorre as zonas Oeste e Sul de São Paulo toda a semana, espalhando uma única mensagem: “Alô, alô, freguesia, está passando na sua rua o carro dos ovos”.

Enéas é natural de Belo Campo, no sertão baiano. Trabalhou em uma empresa de pisos elevados, de onde foi demitido em 2013. Distribuiu currículo, fez fila de emprego e nada de vaga com carteira assinada. Nesse período sem trabalho, acompanhou seu irmão João, que é caminhoneiro, em três viagens para Bastos (SP), conhecida como “a capital nacional do ovo”. Como não se habituava a vida na estrada, surgiu a ideia de revender os ovos que o irmão levava para supermercados da capital.

O ovo nosso de todo os dias, porém, não é só alimento e comércio. Por sua simetria e formato preciso é um ícone da Criação, desde a pré-história. Ele também está presente em várias crenças. Atribui-se aos confeiteiros franceses dos tempos monárquicos a criação dos ovos de chocolate. Eles recheavam as cascas, esvaziadas de clara e gema, e depois pintavam a superfície.

Nestes tempos de pandemia, o ovinho de chocolate, trazido pelo coelho da Páscoa, perdeu audiência para os ovos vendidos pelo baiano Enéas.

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