Psiquiatra negro revolucionou tratamento de transtornos mentais

Compartilhe
TwitterFacebookWhatsApp

NÃO DEIXE DE LER

Juliano Moreira também é reconhecido por humanizar o tratamento de pacientes psiquiátricos.

 

No início do século 20, ele “revolucionou o tratamento de pessoas com transtornos mentais no Brasil e lutou incansavelmente para combater o racismo científico e a falsa ligação de doença mental à cor da pele”.

Foi assim que o Google homenageou, no dia 6 de janeiro, os 149 anos de nascimento o cientista e professor Juliano Moreira, psiquiatra brasileiro considerado o fundador da disciplina psiquiátrica no Brasil, segundo artigo do Brazilian Journal of Psychiatry.

O Correio Braziliense publica matéria da BBC News contando quem foi este ilustre personagem brasileiro, praticamente apagado dos currículos escolares do país.

Moreira nasceu em Salvador, em 1872, filho de uma mulher negra que trabalhava em uma casa de aristocratas na Bahia. Estudos mencionam que ela mesma era escrava ou descendente de escravos. Só em 1888 o Brasil aprovaria a Lei Áurea, que determinava o fim da escravidão.

Os relatos sobre a vida de Moreira destacam a condição de pobreza na origem dele e o fato de que teve que vencer fortes obstáculos para entrar na Faculdade de Medicina da Bahia aos 13 anos. Com apenas 18 anos, ele estava formado e era um dos primeiros médicos negros do país, segundo a Academia Brasileira de Ciências.

Cinco anos depois de formado, o médico se tornou professor de psiquiatria na Faculdade de Medicina da Bahia, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Além da luta contra teses racistas que relacionavam a miscigenação a doenças mentais no Brasil, Moreira também é reconhecido por humanizar o tratamento de pacientes psiquiátricos.

Em 1903, assumiu a direção do Hospício Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro. Lá, ele aboliu o uso de camisas de força, retirou grades de todas as janelas e separou pacientes adultos de crianças.

A Academia Brasileira de Ciências aponta que, graças aos esforços de Moreira, foi aprovada uma lei federal para garantir assistência médica e legal a doentes psiquiátricos. Ele também foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Neurologia e Medicina legal e da Academia Brasileira de Ciências, da qual foi presidente.

O psiquiatra morreu de tuberculose em 1933, na cidade de Petrópolis (RJ).

  Publicações

  Para pensar