Sem controle, Brasil lança toneladas de plástico no mar

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Diariamente 890 toneladas de plásticos são despejadas no mar brasileiro.

 

Não é nenhuma novidade que os mares se transformaram em grandes depósitos de material plástico descartado pelos humanos. No Brasil, não há controle sobre este crime ambiental de enormes proporções.

Diariamente 890 toneladas de plásticos são despejadas no mar brasileiro. Em apenas 24 horas, bilhões de itens de plástico escorrem pelos esgotos e acessam os rios, até invadirem o litoral. São embalagens abandonadas em lixões, sacos plásticos carregados pelas chuvas, materiais deixados sobre as areias das praias que acabam nas águas do Atlântico. Parte desse volume colossal de lixo tem sido ingerida por animais marinhos, que morrem contaminados. Outra parte, após anos de exposição à água e à luz, acaba convertida em pequenos fragmentos, microplásticos que vão parar dentro de peixes de todas espécies, incluindo aquelas levadas à sua mesa.

Durante um ano e meio, pesquisadores da organização Oceana reuniram estudos técnicos e dados oficiais do próprio governo para traçar um perfil sobre o impacto que o plástico tem causado no mar brasileiro. Reportagem de André Borges para jornal O Estado de S.Paulo, que teve acesso exclusivo a esse relatório, expõe a profundidade do problema gerado pelo descarte irregular do plástico e a urgência em se achar uma solução para o assunto.

O Brasil é o maior produtor de plástico na América Latina, responsável por colocar 6,67 milhões de toneladas desses itens na vida cotidiana das pessoas todos os anos. A maior parte desse material não é recolhido e quase 5% vai parar no fundo do mar. São 325 mil toneladas de lixo plástico por ano despejadas no Atlântico.

A cientista marinha Lara Iwanicki, uma das responsáveis pelo relatório, explica que parte do problema se deve à conscientização e educação da população sobre como lidar com o plástico. Iwanicki chama a atenção também para o papel crucial da indústria em geral, que tem ignorado o assunto e deixado de buscar alternativas que possam reduzir o uso e consumo do polímero.

“Fica conveniente transferir essa responsabilidade de tratamento e descarte só para o consumidor e os municípios, ignorando o fato daquilo que é colocado por toda a indústria no mercado. É preciso se voltar, também, para o início do problema, com o objetivo de reduzir a quantidade de plástico descartável produzida na fonte”, diz a cientista. “Incentivar a criação de outras alternativas de embalagens, por exemplo, tem o poder de impulsionar inovação, criar novos mercados para soluções criativas. Tem uma economia nova atrás disso”, alerta a cientista

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