Zoológicos humanos, racismo disfarçado de ciência

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Cartaz sobre exposição de seres humanos no Rio

 

No ano de 1882 era inaugurada no Museu Nacional do Rio de Janeiro uma exposição antropológica exibindo sete indígenas que viraram a sensação do evento. Chegava ao Brasil, importada da Europa, com a benção de Dom Pedro II, a moda do Zoológico Humano. Uma face vergonhosa do passado da ciência antropológica é descrita na reportagem de Naiara Galarraga Cortázar, no El País.

Com os recentes protestos antirracistas que começaram nos Estados Unidos e que reverberaram por vários países, incluindo o Brasil, os olhos de muitos se voltaram para a questão da escravidão e seu cruel reflexo na desigualdade que assola tantas sociedades como a nossa.

Matar a curiosidade do público e ser um suporte teórico ao racismo científico fazendo crer que os brancos eram superiores ao resto dos seres humanos eram dois dos objetivos dos Zoológicos Humanos. A Exposição Universal de Paris em 1889 teve seu ponto alto na “atração” Village Négre, reunindo aproximadamente 400 nativos vindos da colônia para o coração da modernidade.

 

Catálogo do Museu Nacional em 1882

 

Marina Cavalcante Vieira, doutora em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autora de uma tese sobre o primitivo e o exótico nos museus, no cinema e nos zoológicos humanos, explica: “Esses eventos expõem a forma brutal pela qual o Ocidente construiu seu outro, como se transformou em espetáculo populações que ele próprio definiu como “selvagens” ou “incivilizadas”. Ela acrescenta que eram comuns turnês de um ou dois anos com escalas em exposições universais ou coloniais, circos, museus, teatros e zoológicos.

Até o início do século XX os zoológicos humanos seguiram em alta. Bruxelas, na Bélgica, que é hoje a capital da União Europeia, foi provavelmente a cidade que recebeu um dos últimos desses eventos no ano de 1958, quando vários adultos e crianças foram levadas do Congo para a exposição.

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