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{ ENTREVISTA }

Aos poucos, Independência do Brasil será recontada com novos fatos

Programa Diálogos no Espaço Democrático, da TV da fundação, entrevistou a escritora e historiadora Mary Del Priore

 

Redação Scriptum

 

Em dois ou três anos o processo que resultou na Independência do Brasil, que completa 200 anos no próximo dia 7 de setembro, ganhará novos ingredientes a partir de informações que estão sendo levantadas tanto por pesquisadores portugueses como brasileiros. A previsão foi feita nesta terça-feira (30) pela escritora e historiadora Mary Del Priore no programa Diálogos no Espaço Democrático, produzido pela TV da fundação para estudos e formação política do PSD.

Ouça a entrevista no podcast do Espaço Democrático

Segundo ela, todo o material que vem sendo levantado permitirá saber mais sobre um período pouco conhecido. “Recentemente, um grande pesquisador brasileiro, Nireu Cavalcanti, encontrou uma série de documentos, em Portugal, que comprovam que a Independência do Brasil ocorreu em 1º de agosto de 1822”, disse ela na entrevista conduzida pelo jornalista Sérgio Rondino. “O dia 7 de setembro teria sido apenas uma satisfação dada aos paulistas, que estavam, ao lado de mineiros e cariocas, extremamente engajados em todo o processo de emancipação”, apontou.

Mary destacou outro ponto da história que pode ser revisto. “Evaldo Cabral de Mello, um dos nossos maiores historiadores, vem insistindo no fato de que a Independência foi um golpe dado por D. Pedro I para manter um império no Brasil, enquanto historiadores portugueses dizem que Portugal queria a saída do Brasil do Reino Unido de Portugal e Algarve; já estavam cheios de ser colônia de uma colônia”.

Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo e com pós-doutorado na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, na França, Mary é especialista em História do Brasil. É autora de mais de 50 livros – entre os quais os quatro volumes da série Histórias da Gente Brasileira – e acaba de lançar A viajante inglesa, o senhor dos mares e o Imperador na Independência do Brasil, no qual trata de dois personagens menos conhecidos, mas não menos importantes da história brasileira: a viajante inglesa Maria Graham, esposa de um oficial da marinha britânica que veio com o marido para a América do Sul durante as lutas pela independência do Chile e do Brasil e se dedicou a escrever registros do cotidiano, sobretudo os políticos; e Thomas Cochrane, um ex-oficial da marinha da Grã-Bretanha que participou fortemente das lutas pela independência do Chile e, depois, do Brasil. Desde março deste ano Mary ocupa a cadeira 39 da Academia Paulista de Letras, que foi de Ruy Ohtake. Foi duas vezes vencedora do Prêmio Casa Grande & Senzala. Ganhou o Prêmio Jabuti na categoria ciências humanas, com História das Mulheres no Brasil.

A escritora lembrou que apesar da grande projeção de personagens como D. Pedro I, a imperatriz Leopoldina e José Bonifácio de Andrada e Silva – resgatados tanto em biografias quanto pela indústria cultural, ainda se conhece muito pouco sobre a Independência. “É um período que despertou poucas atenções”, destacou. “Todas essas figuras vêm aparecendo com novas tonalidades”, destaca.

A entrevista de Mary Del Priore foi dada durante a reunião semanal do Espaço Democrático. Participaram do encontro, além do jornalista Sérgio Rondino, que é coordenador de Comunicação do Espaço Democrático, o superintendente da fundação, João Francisco Aprá, o economista Luiz Alberto Machado, o cientista político Rogério Schmitt, o sociólogo Tulio Kahn, o gestor público Januario Montone, a secretária do PSD nacional, Ivani Boscolo, o gestor público Andrea Matarazzo e o jornalista Eduardo Mattos.


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