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Desafios da COP 30 são imensos

Na reunião semanal do Espaço Democrático, o ambientalista Eduardo Jorge falou sobre o que espera do encontro de Belém

O ambientalista Eduardo Jorge: Um dos obstáculos é a resistência de países produtores de petróleo em colocar em pauta o fim dos subsídios a combustíveis fósseis

 

Redação Scriptum

 

O médico sanitarista e ambientalista Eduardo Jorge fez uma análise pessimista das perspectivas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) na reunião semanal do Espaço Democrático – a fundação para estudos e formação política do PSD –, nesta segunda-feira (10), em São Paulo. Para ele, são imensos os desafios que as 194 delegações que participam das discussões têm com o propósito de tomar decisões objetivas para frear o aquecimento do planeta.

Jorge, que foi deputado federal entre 1987 e 2005 e candidato a vice-presidente da República na chapa de Marina Silva nas eleições de 2018, acredita que, apesar das dificuldades, o Brasil pode ter “papel central nos debates, tanto pelas suas responsabilidades ambientais quanto pelas oportunidades de liderar propostas inovadoras”.

Na avaliação dele, as negociações da COP 30 “são um labirinto de desafios técnicos e políticos”, com mais de 16 grandes temas em pauta, incluindo adaptação, mitigação, transição e o financiamento climático, que é uma questão particularmente complexa: “Há uma lacuna enorme entre os US$ 300 bilhões atualmente disponíveis e o US$ 1,3 trilhão anual necessário até 2035”, afirmou. Um dos obstáculos é a resistência de países produtores de petróleo em colocar em pauta o fim dos subsídios a combustíveis fósseis, fator essencial para a viabilidade do orçamento climático.

A criação de um fundo de investimentos para a conservação das florestas tropicais, que depende do aporte inicial de US$ 25 bilhões por governos e bancos multilaterais, será um dos pontos do debate, segundo ele. O objetivo é ir além dos fundos tradicionais, baseados em doações, com foco no investimento sustentável como alternativa para financiar as ações climáticas. A perspectiva é de que este fundo possa alavancar até US$ 100 bilhões em recursos privados.

Adaptação urgente

Outro ponto importante citado pelo ambientalista refere-se à adaptação às mudanças climáticas. “Uma coisa é conter o aquecimento, outra é cuidar dos efeitos dele, o pronto-socorro”, disse. Ele destacou as discussões da Cúpula Mundial de Prefeitos da C40 –, realizada no Rio de Janeiro, no começo do mês, com a participação de representantes de dezenas de cidades que praticam iniciativas para mitigar os fenômenos climáticos. “Hoje, mais de 90% da população vive em cidades que, ao mesmo tempo, são grandes poluidoras e podem oferecer espaços para políticas eficazes para conter a emergência climática”, pontuou, citando como exemplo São Paulo, que tem um projeto de eletrificação da frota municipal que já supera 1.000 ônibus urbanos.

Ele citou recente artigo de autoria do ex-vice-presidente americano Al Gore, que chamou a atenção para a urgência da adaptação às mudanças climáticas. No texto, Gore explica que a adaptação é uma resposta imediata necessária para lidar com os desastres climáticos, enquanto a mitigação é um processo de longo prazo para controlar emissões e evitar impactos piores no futuro, ambos fundamentais para as estratégias globais.

Participaram da reunião semanal do Espaço Democrático, coordenada pelo jornalista Sérgio Rondino, os economistas Luiz Alberto Machado e Roberto Macedo, os cientistas políticos Rubens Figueiredo e Rogério Schmitt, o sociólogo Tulio Kahn, os gestores públicos Januario Montone e Mário Pardini, o advogado Roberto Ordine, a secretária do PSD Mulher nacional, Ivani Boscolo, e o jornalista Eduardo Mattos.


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