Pesquisar

tempo de leitura: 3 min salvar no browser

{ SAÚDE }

Gráficos mostram salto nos números da pandemia

Entre novembro e dezembro passados, as mortes por covid-19 no Brasil aumentaram 64,45%. Enquanto novembro teve 13.263 óbitos pela doença, em dezembro o número foi de 21.811

 

 

O número de casos e de mortes por covid-19 aumentaram expressivamente em dezembro passado, como mostram gráficos preparados pelo consórcio de veículos de imprensa, com base em dados das Secretarias da Saúde dos Estados. E a perspectiva de muitos especialistas é de que os números devem continuar crescendo nos próximos dias, a partir das aglomerações verificadas nas festas de fim de ano.

Entre novembro e dezembro passados, as mortes por covid-19 no Brasil aumentaram 64,45%. Enquanto novembro teve 13.263 óbitos pela doença, em dezembro o número foi de 21.811. Já a quantidade de casos bateu recorde em dezembro. Foram 1.339.503 pessoas infectadas, a maior marca mensal atingida desde o início da pandemia e um aumento de 67% em comparação ao mês anterior, quando houve 801.547 contaminados registrados.

O consórcio de imprensa é formado por O Globo, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente. A iniciativa foi criada depois do registro de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

 

 

Segundo especialistas, essa explosão de casos e mortes em dezembro é consequência de eventos que causaram aglomerações nos últimos meses. E também marca o início de uma nova tendência de crescimento de infecções impulsionada por feriados antes das festas de fim de ano, afirmam os pesquisadores.

De acordo com a epidemiologista Ethel Maciel, professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo, os números refletem o efeito dos feriados de 12 de outubro, 2 de novembro e os dias das eleições municipais (primeiro e segundo turno) que causaram aglomerações em diversas cidades do país.

A epidemiologista afirma ainda que, com as comemorações do fim de ano, o cenário deve piorar em janeiro. “As festas que aconteceram no fim de ano, com certeza, causarão muitos casos e mortes, pois as pessoas não estão fazendo o distanciamento, elas estão se aglomerando”, disse.

Nas redes sociais, circulam vários registros de festas de fim de ano com aglomerações em conhecidos destinos turísticos, como praias do Nordeste, de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde se registraram eventos lotados, sem distanciamento social adequado, nem uso de máscara — medidas que, até agora, são as únicas comprovadamente eficazes para controlar a propagação do vírus da Covid-19 antes de a vacina chegar.

O físico Domingos Alves, responsável pelo Laboratório de Inteligência em Saúde da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, concorda. Ele afirma que os números de dezembro são o começo do que deve ser uma nova escalada da pandemia no país. “Ainda é a ponta do iceberg. Os dados vão se agravar em janeiro. Nós teremos uma mortalidade por covid-19 no Brasil não vista até agora na pandemia. O número de óbitos vai explodir”, disse o pesquisador ao G1.

Dezembro, mesmo antes de terminar, já era o mês com mais mortes pela doença desde setembro. E é a primeira vez, desde julho, que a quantidade de mortes em um mês é maior que a vista no mês anterior. Apenas três unidades da federação registraram mais mortes em novembro pela doença do que no mês seguinte (Goiás, Piauí e Maranhão). Em Mato Grosso do Sul, dezembro foi o mês com o maior número de mortes pela covid-19 desde o início da pandemia: 560. O Estado teve tendência de alta nos óbitos, segundo a média móvel diária, em todos os dias de dezembro exceto no primeiro.

Em São Paulo, foram 2.784 mortes em novembro contra 4.622 em dezembro — um crescimento de 66%. O número de infectados foi, respectivamente, 125.526 e 220.644, um salto de 75% na comparação de um mês com o outro.


ˇ

Atenção!

Esta versão de navegador foi descontinuada e por isso não oferece suporte a todas as funcionalidades deste site.

Nós recomendamos a utilização dos navegadores Google Chrome, Mozilla Firefox ou Microsoft Edge.

Agradecemos a sua compreensão!