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{ SAÚDE }

Os desafios que o mundo vai enfrentar depois da pandemia

Gestor de saúde Januario Montone aponta vacinação, tratamento de sequelas e novos surtos como dificuldades

 

Reunião semanal do ED também discutiu o problema da demanda reprimida por serviços de saúde no país pós-pandemia Foto: Scriptum

 

Redação e edição: Scriptum

 

O Brasil poderá ter grande dificuldade para dar sequência ao esquema de vacinação contra a covid-19 no próximo ano e há o risco de termos uma explosão de casos entre abril e maio. O alerta foi feito pelo gestor e consultor em saúde pública Januario Montone, primeiro presidente da Agência Nacional de Saúde (ANS), na reunião semanal do Espaço Democrático, nesta terça-feira (16). Ele apresentou um painel sobre a situação atual do enfrentamento da doença no Brasil e no mundo e apontou os desafios que teremos pela frente.

“Até o momento temos garantidas apenas as doses produzidas pela Fiocruz, a AstraZeneca, metade delas produzida com IFA (ingrediente farmacêutico ativo) importado”, disse ele. “O Ministério da Saúde não contratou outras vacinas e já anunciou que não usará a CoronaVac”.

Montone, que foi secretário municipal de Saúde em São Paulo na gestão do prefeito Gilberto Kassab, defende que o Ministério da Saúde deveria usar todas as opções disponíveis no mercado de maneira a otimizar o melhor desempenho de cada uma das vacinas: “AstraZeneca para qualquer faixa de idade, Pfizer e Coronavac para crianças e adultos até 50 anos e assim por diante”.

Ele citou vários outros desafios que o mundo enfrentará no ano que vem. Um deles é com as sequelas deixadas pela covid nas pessoas que foram hospitalizadas: entre 30% e 40% desses pacientes têm agravamento de doenças preexistentes e impactos nos sistemas respiratório e cardiovascular, além de problemas neuropsiquiátricos e psicológicos. A demanda reprimida por serviços de saúde é outro obstáculo. “Cirurgias eletivas e rotinas de monitoramento de pacientes crônicos foram suspensos ou muito prejudicados; os procedimentos do SUS caíram mais de 23% durante a pandemia em relação ao período anterior”, lembra.

Montone fez um balanço do momento atual de enfrentamento da pandemia e destacou os muitos avanços científicos em tão pouco tempo, como a vacinação em massa e a possibilidade de, a curto prazo, ser ampliada a oferta de medicamentos para tratamento da doença – a Merck Sharp & Dohme teve sua pílula aprovada para comercialização no Reino Unido.

Apesar dos avanços, a União Europeia já vive a ameaça de um novo surto. A Áustria, com 63% da população vacinada, tem a quarta maior taxa de novos casos e países como Holanda e Noruega começaram a tomar novas medidas restritivas de circulação. A baixa vacinação em alguns países, a imunidade em queda entre os primeiros vacinados e o relaxamento no uso de máscaras e com o distanciamento social são riscos reais.

Participaram da reunião semanal do Espaço Democrático o jornalista Eduardo Mattos, assessor de Comunicação/Scriptum; o superintendente do Espaço Democrático, João Francisco Aprá; os economistas Luiz Alberto Machado e Roberto Macedo; os cientistas políticos Rogério Schmitt e Rubens Figueiredo; o jornalista/Scriptum e coordenador de Comunicação do Espaço Democrático, Sérgio Rondino; e o sociólogo Tulio Kahn.


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