
“Árvores urbanas não são mais enfeites, são imprescindíveis para a resiliência diante do cenário que vivemos, de mudanças climáticas regionais”, afirmou Ricardo Cardim.
Redação Scriptum
A arborização das cidades pode contribuir de forma efetiva para o enfrentamento da crise climática que o mundo atravessa. “Árvores urbanas devem ter a mesma prioridade de outras infraestruturas essenciais das cidades, como as redes de água, esgoto ou energia elétrica”, defende o biólogo e paisagista Ricardo Cardim, personagem da nova edição da série Diálogos no Espaço Democrático, disponível gratuitamente para leitura on-line ou download no site da fundação para estudos e formação política do PSD. Árvores, para ele, são serviço essencial para as cidades e precisam ser integradas de forma abrangente e maciça nas malhas urbanas para resfriar a temperatura.
O caderno As árvores e a vida nas cidades, uma relação de amor e ódio traz a íntegra da palestra dada por Cardim – especialista em projetos sustentáveis e multifuncionais de paisagismo com o uso da biodiversidade nativa brasileira – na fundação. Segundo ele, o Brasil precisa criar, com urgência, um órgão federal responsável pelo ambiente urbano, que regule a arborização e o paisagismo nos municípios brasileiros. “Precisamos de uma espécie de sistema único de arborização, ou um marco regulatório para o verde urbano”.
Cardim destacou que cuidar da arborização das cidades já não é mais uma opção. “Árvores urbanas não são mais enfeites, são imprescindíveis para a resiliência diante do cenário que vivemos, de mudanças climáticas regionais, com cada vez mais eventos extremos, agravados pelas mudanças globais”.
Cardim define que a árvore, no meio urbano brasileiro, é um ser vivo abandonado. “Tudo conspira contra a vida da árvore no Brasil”, diz. “E a população tem uma relação de amor e ódio com ela: quer arrancar, podar, mas o fato é que em todas as cidades é comum a inexistência de manutenção das árvores, que são plantadas e abandonadas”. Boa parte da má vontade das pessoas com as árvores se deve, segundo ele, ao descuido do poder público com a manutenção. “A falta de cuidado provoca as quedas na fiação e as tragédias; se existisse fiscalização e manutenção das árvores doentes não seria assim”.