Pesquisar

tempo de leitura: 3 min salvar no browser

PSD vai elaborar programa de governo em rodadas nacionais

Valor Econômico (13/10/2011) – O PSD começou a organizar os conselhos temáticos que serão responsáveis pela formulação do programa do novo partido.

do Valor Econômico

O PSD começou a organizar os conselhos temáticos que serão responsáveis pela formulação do programa do novo partido. Ainda este ano o vice-governador de São Paulo e presidente da Fundação Espaço Democrático, vinculada ao PSD, Guilherme Afif Domingos, fará um “road show” para discutir o programa com militantes do partido nos 26 Estados e Distrito Federal. “O PSD é um partido que tem pressa”, diz Afif.

O presidente do Banco Central nos oito anos do governo Lula, Henrique Meirelles, será o coordenador do grupo que vai tratar de economia. “Esse conselho vai analisar estruturalmente e conjunturalmente a economia e identificar os pontos de estrangulamento que queremos mudar na Constituição”, afirma o vice-governador. O manifesto do PSD propõe uma constituinte exclusiva.

“Os conselhos temáticos vão desenvolver e delimitar o campo cirúrgico na Constituição”, diz Afif. “A constituinte exclusiva que nós queremos não é para retalhar o corpo inteiro da Carta de 1988, mas para fazer as reformas para as quais ou falta vontade política ou maioria para levar adiante, porque o conjuntural sempre se impõe ao estrutural”.

Os conselhos serão coordenados por nomes representativos de cada setor, mas receberão um forte reforço da academia. Afif, de certa forma, reedita o que já fez na Associação Comercial de São Paulo, ao criar o “Espaço Liberal”, em meados dos anos 80. Por lá passaram desde intelectuais identificados com a esquerda, como Leôncio Martins Rodrigues e Francisco Weffort, ao jurista Ives Gandra Martins.

Além de Meirelles, outros nomes já foram acertados para a coordenação de alguns dos conselhos temáticos. O que discutirá as questões da agricultura, por exemplo, ficará com a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Os pessedistas articulam também uma consultoria de peso para analisar e fazer sugestões ao conselho que tratará do meio ambiente.

Dois ex-ministros no governo Fernando Henrique Cardoso vão integrar o conselho da seguridade social: Reinhold Stephanes (PR) e Roberto Brandt (MG). O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, é o coordenador do conselho de movimentos sociais e trabalhismo. “Tudo calçado com o pessoal da academia”, insiste Afif.

O PSD também já definiu um slogan: “Um partido ligado no Brasil”. Segundo Afif, a sigla levará “ao extremo o conceito da conexão”. A ideia é manter conectado, literalmente, o militante que foi candidato a algum cargo eletivo, não se elegeu mas teve dois, três, quatro ou nove mil votos. “Nós temos que manter um link com esse cara e já há tecnologia para isso”, diz.

“Em questão de minutos é possível aplicar uma pesquisa online e informar nossos parlamentares sobre o que pensa a militância, por exemplo, sobre a criação de um novo imposto para financiar a saúde”.

Os conselhos temáticos é que devem estabelecer “o conceito de um partido independente”, como se propõe o PSD. “Esses conceitos é que estabelecerão os parâmetros para que o partido possa decidir se apoia ou não determinada iniciativa de governo”, segundo Afif. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, reafirma que a atuação do PSD, no Congresso, será pautada pela “independência”.

“Querem passar a impressão de que está nascendo um partido fisiológico, e eu posso ssegurar que não está”, disse Kassab ao Valor. Segundo o prefeito, o PSD vai apoiar, por exemplo, a prorrogação da Desvinculação de Recursos da União (DRU), por entender que ela realmente é crucial para o governo, como afirmou a ministra Miriam Belchior (Planejamento). Kassab apoiou a DRU quando estava no PFL e no Democratas e não vê razões para mudar de posição agora.

O “road show” de Afif lembra as viagens que fez em 1989 aos Estados, como preparativo para o lançamento de sua candidatura presidencial pelo PL. Naquela eleição, Afif chegou a ter 14% das intenções de voto. Nas eleições de 1998 o ex-deputado Ciro Gomes (PSB) também viajou com antecedência aos Estados para apresentar sua candidatura presidencial e acabou como o terceiro mais votado numa eleição que teve FHC em primeiro lugar e Lula em segundo.

No momento, Afif diz estar preocupado apenas com a divulgação do partido e de suas propostas. “Não acreditavam em nós, mas fizemos o partido; agora vamos mostrar que temos um projeto de país”. O vice-governador também prefere não se manifestar sobre sua eventual candidatura à Prefeitura de São Paulo, vista como solução para uma aliança entre PSD e PSDB.

 


ˇ

Atenção!

Esta versão de navegador foi descontinuada e por isso não oferece suporte a todas as funcionalidades deste site.

Nós recomendamos a utilização dos navegadores Google Chrome, Mozilla Firefox ou Microsoft Edge.

Agradecemos a sua compreensão!