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Uma casta política se apoderou do Brasil

Para Samuel Hanan, ex-vice-governador do Amazonas, os grandes problemas do Brasil são políticos, não econômicos

 

 

Redação Scriptum

 

A origem dos maiores problemas brasileiros não está na economia; está na política. O diagnóstico é do empresário e engenheiro com especialização em macroeconomia, administração de empresas e finanças Samuel Hanan. Em palestra na reunião semanal do Espaço Democrático – a fundação para estudos e formação política do PSD –, nesta terça-feira (16), ele listou alguns dos principais gargalos do País, detalhados no recente livro de sua autoria com o filho Daniel Falcone Hanan, Brasil, um país à deriva. A obra, define ele, é fruto do desapontamento e frustração com os maus governantes, “de como eles fazem mal ao Brasil”.

Assista à íntegra aqui ou ouça o podcast

Para Hanan, que foi vice-governador do Amazonas entre 1999 e 2002 e é integrante do Conselho Superior de Orientação do Espaço Democrático, “uma casta política se apoderou do Brasil”. Ele apontou quatro dos principais problemas criados por ela: o foro privilegiado para os políticos que exercem cargos eletivos, a criação desenfreada de novos municípios, os gastos desmedidos com o funcionalismo público e a reeleição para cargos executivos.

“Houve uma expansão gigantesca do foro privilegiado”, disse. Segundo ele, o mecanismo, que tem origem na monarquia, beneficia hoje cerca de 55 mil pessoas em todo o País. “Significa que temos 55 mil monarcas mesmo sendo uma República”, apontou, destacando que nenhum político quer ser julgado por um juiz de primeira instância, mas por aqueles de instâncias superiores, indicados pelo presidente da República. “Isto significa que não somos iguais perante a lei”.

O surgimento de novos municípios, de acordo com ele, é outro dos importantes entraves do País. “De 1988 para cá foram criados 1.440 novos municípios no Brasil, cada um deles com seus prefeitos, vice-prefeitos, secretários, vereadores, veículos e toda a infraestrutura para funcionamento”, aponta. “A maior parte desses municípios tem menos de 8 mil habitantes e não tem atividade econômica relevante”, diz. Hanan lembra, citando uma operação aritmética, que o numerador (a receita) é o mesmo, mas o denominador aumentou: “Vai diminuir o quociente, que são os serviços que a população deixará de ter”.

Ele apresentou como outro dos gargalos brasileiros o excesso de gastos públicos com o funcionalismo. “União, Estados e municípios gastam hoje 13,4% do Produto Interno Bruto (PIB) com o serviço público, enquanto os 37 países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) gastam 9,8%”, comparou. “A maior gravidade desse número é que esqueceram de investir no funcionalismo que faz a atividade fim de um Estado, professores, médicos e profissionais da área de segurança pública”.

O último dos nós do País, para ele, é a reeleição para cargos executivos. “No dia seguinte à posse, a maior parte dos eleitos já começa a pensar na reeleição”, afirmou. “Todo mundo promete tudo e não há planos de governo; por isso eu gostaria de ver um debate no qual todos os candidatos estivessem ligados a um polígrafo com sirene, aí veríamos quem fala o que pensa”.

Hanan citou números do crescimento do PIB para demonstrar como a economia vem registrando constantes quedas desde a promulgação da Constituição de 1988. “Durante o período de Juscelino Kubitscheck, o Brasil cresceu, em cinco anos, à média de 8,6% ao ano; de 1964 até 1988, 6,37%; hoje, estamos crescendo 0,57% ao ano”, afirmou. Em contrapartida, lembra, “a carga tributária que era de 17,23% na época de JK hoje é de 33%”.

Participaram da reunião semanal do Espaço Democrático os economistas Luiz Alberto Machado e Roberto Macedo, os cientistas políticos Rogério Schmitt e Rubens Figueiredo, o sociólogo Tulio Kahn, a secretária do PSD nacional, Ivani Boscolo, o gestor público Januario Montone, o gestor público Júnior Dourado, o médico e filósofo Antônio Batista e os jornalistas Eduardo Mattos e Sérgio Rondino, coordenador de Comunicação do Espaço Democrático.


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