
Modelo de aluguel de robôs tem potencial para transformar a base industrial americana ao tornar a automação acessível para pequenas e médias empresas
Edição Scriptum com Estação do Autor e The New York Times/Folha de S.Paulo
Normalmente visto com desconfiança e mesmo ameaça ao emprego das pessoas, a adoção de robôs nas fábricas americanas tem provocado cenários inusitados. A possibilidade de alugar robôs, além de preservar postos de trabalho, oferece a pequenas empresas acesso a automação, além de evitar que trabalhadores sofram lesões.
Reportagem de Farah Stockman para o New York Time publicada na Folha de S.Paulo (assinantes) mostra as vantagens da contratação de robôs que na versão por assinatura dribla altos custos e registra crescimento nos Estados Unidos, diante da escassez de mão de obra.
O modelo de aluguel de robôs tem potencial para transformar a base industrial americana ao tornar a automação acessível para pequenas e médias empresas, historicamente mais lentas na adoção de novas tecnologias. Das cerca de 244 mil fábricas no país, 93% têm menos de 100 empregados e 75% têm menos de 20, segundo o Manufacturing Extension Partnership. Muitas dessas empresas não possuem capital ou conhecimento para integrar novos equipamentos às linhas de produção.
As empresas de aluguel de robôs se especializam em tarefas corriqueiras como empilhar caixas, separar peças, soldar ou alimentar máquinas, justamente os trabalhos que mais causam lesões por esforço repetitivo em humanos. Segundo a Federação Internacional de Robótica, o aluguel de robôs ainda é pequeno, mas crescente. Em 2023, foram vendidos no mundo cerca de 113 mil robôs para transporte e logística, alta de 35% em relação ao ano anterior. Desses, 5.000 estavam disponíveis para locação, aumento de 20%.
O modelo também ganhou espaço no Vale do Silício, atraindo investidores interessados em receita recorrente e em relações de longo prazo em vez de vendas pontuais, segundo relatório do Silicon Valley Bank. Empresas que adotam o modelo, diz o estudo, conseguem captar mais recursos e com avaliações melhores do que as que não adotam.
Entretanto, segundo Andra Keay, diretora da associação Silicon Valley Robotics, muitas companhias ainda não conseguem arcar com a compra de robôs e preferem manter o gasto como despesa operacional ou querem testar a tecnologia antes de um investimento maior. “É uma ótima ideia como porta de entrada”, disse Keay. “Os robôs são necessários para enfrentar a falta de mão de obra, e isso inclui tornar os trabalhos mais agradáveis e menos penosos.”