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Taxonomy - Manchete secundária

‘Oxigênio negro’ no fundo do mar põe em questão teorias sobre a origem da vida

Substância é produzida por um processo diferente de fotossíntese, a mais de 4 mil metros de profundidade, no centro do Pacífico

[caption id="attachment_38525" align="aligncenter" width="560"] Existência desse processo poderia criar habitats oxigenados em outros ‘mundos oceânicos’ e assim estabelecer condições para a vida extraterrestre.[/caption]

 

Texto Estação do Autor com Estadão/AFP

Edição Scriptum

 

Uma recente descoberta está intrigando cientistas e pode mudar paradigmas. Pesquisadores identificaram no fundo do Oceano Pacífico, na costa do México, pequenas pedras que liberam oxigênio em regiões de grande profundidade, sem a presença de luz. A descoberta coloca em questão a teoria sobre a origem da vida, segundo estudo divulgado na revista científica Nature Geoscience.

Este peculiar “oxigênio negro” é produzido por um processo diferente de fotossíntese, a mais de 4 mil metros de profundidade, na planície abissal da zona de fratura de Clarion-Clipperton, no centro do Pacífico, em frente à costa Oeste do México.

Reportagem publicada no Estadão mostra detalhes do trabalho científico que detectou o oxigênio que não vem de organismos vivos, mas de nódulos polimetálicos agregados minerais ricos em metais (manganês, cobre, cobalto etc). São recursos minerais muito procurados pela indústria para a fabricação de baterias, aerogeradores ou painéis fotovoltaicos.

Um navio da Associação Escocesa para Ciências Marinhas (SAMS) fazia amostragens na região para avaliar o impacto da prospecção de metais em um ecossistema que abriga espécies animais únicas, que sobrevivem sem luz. Andrew Sweetman, autor principal da pesquisa, explicou que a tentativa era medir o consumo de oxigênio no fundo do oceano usando câmaras bentônicas. No entanto, “o oxigênio aumentava na água sobre os sedimentos, em completa escuridão e sem fotossíntese”, relatou.

Os cientistas chegaram a pensar que os sensores submarinos estavam fornecendo dados incorretos. Porém, ao repetir o experimento foi observado que o oxigênio aumentava nas amostras de sedimento, em completa escuridão. “A descoberta da produção de oxigênio por um processo diferente de fotossíntese nos leva a repensar como a vida surgiu na Terra”, comenta Nicholas Owens, diretor da SAMS.

A visão convencional é de que o oxigênio começou a ser produzido há cerca de 3 bilhões de anos por cianobactérias, levando ao desenvolvimento de organismos mais complexos. Andrew Sweetman sugere que a existência desse processo em nosso planeta poderia criar habitats oxigenados em outros ‘mundos oceânicos’ e assim estabelecer condições para a vida extraterrestre.

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Prefeitando e vivendo com fé e determinação

Câncer é golpe duro, mas também oportunidade para refletir sobre trajetória, escreve Fuad Noman, candidato do PSD à Prefeitura de Belo Horizonte

  Fuad Nomanprefeito de Belo Horizonte pelo PSD Edição Scriptum   Compartilhar notícias pessoais em um cargo público nunca é fácil, mas acredito na transparência e no poder da comunicação. Recentemente, fui diagnosticado com um linfoma abdominal durante exames de rotina. A notícia foi um golpe duro, mas também uma oportunidade para refletir sobre minha trajetória e minha missão como prefeito de Belo Horizonte. Passei por uma cirurgia bem-sucedida e já iniciei o tratamento necessário. Nos últimos dias, tenho tido o apoio inestimável da minha esposa, Mônica, dos meus filhos, Paulo e Gustavo, e dos meus quatro netos. Este suporte familiar tem sido um pilar fundamental neste momento difícil. Decidi que continuarei exercendo meu cargo de prefeito com o mesmo vigor de sempre, trabalhando incansavelmente e mantendo minha presença discreta, mas eficaz. Também sigo firme na minha candidatura à reeleição, planejando dedicar os finais de semana à campanha enquanto continuo a "prefeitar" durante a semana. Alguns podem questionar a sabedoria de manter uma agenda tão intensa durante um tratamento de câncer. No entanto, acredito que minha responsabilidade com a cidade e seus cidadãos é maior do que nunca. O diagnóstico me trouxe uma nova perspectiva sobre a importância do nosso trabalho e a urgência de nossas ações. As obras contra as enchentes em Belo Horizonte, por exemplo, são uma prioridade que não pode esperar. Melhorar o serviço de transporte público e buscar soluções inovadoras para a saúde e a educação são desafios que me motivam diariamente. A Super Emei na área central de BH é um exemplo do que podemos alcançar juntos, e projetos como este me dão energia para seguir em frente. Belo Horizonte não pode parar. E minha missão de comandar essa cidade que tanto amo não será abalada. Enfrentar o câncer não é apenas uma batalha pessoal; é um teste de resiliência que revela o caráter de um líder. Sou otimista por natureza e acredito firmemente no poder da fé. Deus tem me sustentado nos momentos mais difíceis da minha vida, e sei que Ele continuará a me fortalecer nesta jornada. Minha fé me dá a coragem para enfrentar as mudanças físicas que o tratamento trará, como a perda de cabelos e peso, sem perder a alegria de servir. Esta experiência também me fez refletir sobre a importância da empatia e da solidariedade no serviço público. Como líder, é minha responsabilidade mostrar que, mesmo nos momentos mais desafiadores, podemos encontrar força na comunidade e inspiração na missão de melhorar a vida das pessoas. A mensagem que quero deixar é clara: enfrentarei este desafio com a mesma determinação com que enfrento os problemas da nossa cidade. Tudo na minha vida foi conquistado com esforço e perseverança, e não será diferente agora. Vou vencer mais uma vez, não só por mim, mas por todos que acreditam no nosso trabalho. Agradeço profundamente aos médicos e enfermeiros que têm cuidado de mim, à minha família pelo apoio incondicional, aos meus amigos e a todos os belo-horizontinos pela confiança. Continuaremos trabalhando juntos, com confiança no futuro e fé no que está por vir.  

Artigo publicado originalmente na edição de 18 de julho de 2024 da Folha de S. Paulo

  Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do PSD e da Fundação Espaço Democrático. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.  

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‘Não há como evitar que pane volte a acontecer’, diz membro do comitê gestor da internet

Demi Getschko, membro do comitê gestor da internet, diz que os “bugs” mas poderiam ser minimizados com testes em ambientes controlados

[caption id="attachment_38516" align="aligncenter" width="560"] Cientista Demi Getschko entende que, aparentemente, foi consequência de uma atualização mal planejada.[/caption]

 

Texto Edição do Autor com O Globo

Edição Scriptum

 

Na última sexta-feira (19), uma falha no sistema operacional Windows, da Microsoft, afetou computadores do mundo inteiro. A pane interrompeu atividades em bancos, aeroportos, estações de trem e até mesmo em hospitais. Foi o que já está sendo considerado o maior apagão cibernético registrado até hoje.

Em entrevista para Juliana Causin, do jornal O GloboDemi Getschko, diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e representante de notório saber em Internet do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), acredita que mais cedo ou mais tarde uma pane cibernética como essa deve voltar a ocorrer. Para ele, os "bugs", a expressão para falhas ou erros em softwares, acontecem "de tempos em tempos", mas poderiam ser minimizados com testes em ambientes controlados.

Ao analisar as proporções do apagão, o cientista entende que, aparentemente, foi consequência de uma atualização mal planejada. “Mas o fato é que a falha mora na parte central do sistema, portanto é mais complicada de ser corrigida. Do que sabemos até aqui, foi um erro operacional, de desenvolvimento. Obviamente, eliminá-lo pode ser trabalhoso. E o defeito que ele apresenta é um bloqueio geral, o que é bastante ruim. Se fosse somente uma não funcionalidade do antivírus, seria mais simples. O grave, nesse caso, é que deixou de funcionar o sistema hospedeiro (o Windows)”, complementa o diretor presidente do NIC.br.

Demi Getschko usa o recente apagão como alerta e reafirma que, “em um mundo baseado em tecnologias complexas e cada vez mais longe do nosso entendimento, há que se ter um uso racional delas e saber do risco que corremos. Nós dependemos delas e nós temos pouquíssimo controle sobre elas. Então, o máximo que podemos tentar fazer é não cair cegamente em qualquer alteração imediata e se possível testá-la antes em um ambiente restrito. Mas é preciso saber que isso pode acontecer. Por artifícios maliciosos de hackers ou por erros humanos, que é o que parece ter acontecido nesse caso”.

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Saudades do futuro

Para José Paulo Cavalcanti Filho a Inteligência Artificial atrai, sobretudo, pelas incertezas; já o tema dos clones, pelo que tem de mistério

José Paulo Cavalcanti Filho, escritor, jurista e colaborador do Espaço Democrático

Redação Scriptum

 

A citação do título vem do passado e tem mais de 100 anos, dita (em 1921) pelo escritor e filósofo português Teixeira de (Amarante) Pascoaes, um representante do saudosismo, em seu Cantos indecisos:

Tenho, às vezes, saudades do futuro

Como se ele já fora decorrido

Um sentimento escuro

De quem, antes da vida, houvesse já vivido.

Um futuro que vemos se formar com outros rostos e em bases distantes daquelas com que sonhamos ainda criança. Não só no campo da Inteligência Artificial (IA) vejo também mudanças perturbadoras em um outro mundo, paralelo, o da genética.

E já começo lembrando que, em 1993, aumentou-se o prazo de vida de uma mosca, como resultado da inativação de redes genéticas específicas. Assim são os animais, entre eles o homem. Então se viu que o organismo humano tem células programadas para viver; e, outras, para morrer. A morte, tudo parece sugerir, é geneticamente programada. A essa conclusão chegou o médico Marco Aurélio Dias da Silva (Quem ama não adoece), pernambucano, filho do psicólogo Dias da Silva e irmão de Marluce (que, na Globo, substituiu Boni), partindo de duas constatações empíricas:

  1. A de que louco não adoece (em verdade, não precisa adoecer), nem morre de câncer ou coração, mas de, por exemplo, pneumonia, por dormir num chão molhado. Ou causas parecidas.
  2. E a de que as pessoas têm usualmente apenas uma doença fatal. Quem tem câncer, não tem enfarte; e, quem tem enfarte, está livre do câncer. Só que 1/3 da população mundial tem câncer e 1/3, problemas do coração. O que deveria fazer com que 1/3 dos cancerosos tivessem também problemas no coração e 1/3 dos cardíacos, câncer. Mas se não é assim que se dá, por quê?, eis a questão que aquele médico se colocou.

Sua conclusão foi que o organismo humano, sabendo já estar condenado, não sentisse necessidade de fabricar outra doença mortal. Certo que com o avanço da ciência, em operações para extirpar cânceres ou colocar stents no coração, essa regrinha está mudando aos poucos. Acontece. A história começou há 4 bilhões de anos, quando foram formadas as primeiras moléculas de ácidos nucléicos; e apenas agora, depois de tanto tempo, o homem consegue interferir no processo da vida, para quase brincar de ser Deus.

As possibilidades que se abrem são amplíssimas. Infinitas, quase. Estão em curso estudos para produzir tomates com apodrecimento retardado, plantas resistentes a insetos e herbicidas, fibras de algodão naturalmente coloridas. Em pouco tempo, quem perder um braço poderá fazer outro, igual ao anterior. O mesmo com dentes. E estaremos produzindo clones de córneas (da cor que quisermos) ou rins que evitarão a procissão de desvalidos nos corredores das hemodiálises. E tudo sem riscos de rejeição, que os clones serão feitos a partir de material genético dos próprios interessados.

Curioso é que cientistas são sempre exagerados. O próprio dr. Ian Wilmunt, no Instituto Roslin (de Edimburg, Escócia), tinha um exótico zoológico particular, composto, entre outros, por Megan e Morag, duas ovelhas iguais entre si; Tracex, uma ovelha geneticamente alterada para produzir proteínas necessárias ao tratamento da fibrose cística; Rosie, uma vaca que produzia leite humano; sem contar a superastro ovelha Dolly, filha de 3 mães – a primeira que deu a célula, a segunda que deu o óvulo e uma terceira que deu o útero.

O tema da Inteligência Artificial atrai, sobretudo, pelas incertezas. Enquanto o dos clones pelo que tem de mistério. Mesmo quando interfira em apenas um, entre os cem mil genes de que somos feitos os homens. A partir de vários desafios. Entre eles me fascina, sobretudo, a possibilidade de construir duas pessoas iguais. Idênticas. E não penso em nenhuma conhecida, já digo, penso apenas em gente comum. Anônimos, quase. Embora não fosse mal ter muitos BachShakespeare, Van Gogh, Ella Fitzgerald, Leonard Cohen. Já sabendo que, quase certamente, isso nunca acontecerá, já que os clones hipotéticos viverão suas próprias trajetórias. A mente, a emoção, a dúvida, a alegria, o pensamento, o espanto e a solidão são próprias e únicas. Até lá, melhor ficarmos com Pessoa (Caeiro, O guardador ...) em seu desejo de

Sentir a vida correr por mim

Como um rio por seu leito

E lá fora um grande silêncio

Como um deus que dorme.

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