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Constituição brasileira é traduzida pela 1ª vez para língua indígena

Um grupo de 15 indígenas bilíngues da região do Alto Rio Negro e Médio Tapajós verteu o texto para o nheengatu, única língua ainda viva que descende do tupi antigo

 

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e a ministra Rosa Weber, do STF.

 

 

Texto: Estação do Autor com Agência Brasil e Supremo Tribunal Federal (STF)

Edição: Scriptum

 

Promulgada há 35 anos, a Constituição brasileira tem agora uma versão inédita. A Carta Magna, traduzida para o nheengatu, foi lançada marcando a Década Internacional das Línguas Indígenas das Nações Unidas. A cerimônia aconteceu no último dia 19, no município de São Gabriel da Cachoeira (AM), na Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN). Um grupo de 15 indígenas bilíngues da região do Alto Rio Negro e Médio Tapajós foi responsável pela tradução.

Reportagem de Lucas Pordeus León publicada na Agência Brasil destaca a importância histórica dessa iniciativa, patrocinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Também participaram do lançamento da Constituição em Nheengatu a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e a presidente da Funai, Joenia Wapichana.

O último levantamento de línguas indígenas do Brasil registrou que as 305 etnias brasileiras mantêm vivos 274 idiomas no País, segundo o Censo de 2010. Chamada de Língua Geral Amazônica, o nheengatu é a única ainda viva que descende do tupi antigo, tendo traços que a relacionam com o tupi falado na costa brasileira. “(As línguas) conseguiram sobreviver mesmo diante de sucessivos ataques desde o início do processo de colonização desse território, que já era casa de inúmeros povos indígenas antes de ser chamado de Brasil. Por isso, preservar e valorizar a diversidade linguística brasileira é fundamental para a construção de uma sociedade plural e inclusiva”, destacou a ministra do STF Rosa Weber.

Para Lucas Marubo, do povo marubo, a tradução abre um precedente para que outros povos também tenham seus direitos traduzidos. Marubo considera esse um “momento histórico para os povos indígenas”. Já a tradutora Inory Kanamari, do povo kanamari, lembrou que é a primeira indígena da sua etnia a exercer a advocacia. “Estamos num país com diversidade imensa e não escuto nossas línguas nos espaços. A gente precisa fazer parte”, concluiu Inory.


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