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Inclusão social é base do sucesso do esporte paralímpico brasileiro

Nelson Hervey, superintendente do Comitê Olímpico Brasileiro, explica no Espaço Democrático como o País se transformou em potência mundial

 

 

Nelson Hervey é economista com especialização em projetos sociais e políticas públicas e superintendente do Comitê Paralímpico Brasileiro Foto: Scriptum

 

Redação: Scriptum

 

Em 24 anos, entre as Paralimpíadas de Barcelona, em 1992, e as do Rio de Janeiro, em 2016, o esporte paralímpico brasileiro teve um crescimento vertiginoso no número de medalhas conquistadas: de sete para 72, mais de 1000%. É um desempenho sólido e consistente – este ano, em Tóquio, o País voltou a ganhar 72 medalhas -, que só foi possível graças à estrutura criada em torno do esporte paralímpico, conforme explicou Nelson Hervey Costa, economista com especialização em projetos sociais e políticas públicas que é superintendente do Comitê Paralímpico Brasileiro, em palestra nesta quinta-feira (3), na reunião semanal do Espaço Democrático, a fundação para estudos e formação política do PSD.

O resultado está ligado à ideia formulada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro no atendimento às pessoas, de usar o esporte como ferramenta para inclusão e transformação social. “É uma política pública, de promover o esporte paralímpico, até o alto rendimento, e a inclusão da pessoa com deficiência na sociedade”, diz Hervey, que tem um longo currículo em postos públicos de comando – foi, por exemplo, secretário-executivo da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República (2013-2015), presidente do Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal – Fundação Prefeito Faria Lima (CEPAM) (2010) e secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo (2011-2012).

A importância do trabalho desenvolvido pelo Comitê pode ser medida pelo mais recente censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): 23,9% da população brasileira, o que equivale a mais de 45 milhões de pessoas, tem algum tipo de deficiência, desde as mais simples, como as miopias de alto grau, às mais severas, de comprometimento motor.

“Para alcançar essas pessoas, temos um caminho”, aponta Hervey. “O primeiro passo é incluir a pessoa, trazendo para eventos como o Festival Paralímpico, um megaevento que tem o propósito de promover a experimentação de modalidades paralímpicas”, conta. Na última edição, cerca de 11.000 crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos participaram em 70 cidades.

Outra iniciativa de inclusão é o programa “Esportes Paralímpicos nos Centros de Reabilitação”, criado em 2019. Por meio dele, as modalidades paralímpicas são apresentadas aos pacientes atendidos nos centros de reabilitação, o que facilita a transição do estágio de reabilitação para o esporte de alto rendimento.

A iniciação de crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos da rede pública de ensino do Estado de São Paulo é apontada por Hervey como outro importante programa de inclusão. “Hoje são 539 alunos que têm duas aulas por semana em nove modalidades – atletismo, bocha, futebol de 5, goalball, judô, natação, parabadminton, tênis de mesa e vôlei sentado”, conta.

Após o estágio de inclusão, a iniciação daqueles que se interessam pelo esporte é feita por três programas. O primeiro deles é chamado de Paralimpíadas Escolares, para jovens de 12 a 17 anos, que tem papel fundamental na descoberta de talentos em 12 modalidades. Ali é possível testemunhar histórias emocionantes de inclusão, como a dos gêmeos Lucas e Bruno (assista ao vídeo). O Camping Escolar Paralímpico, também para a faixa etária de 12 a 17 anos, que identifica aqueles que se destacaram nas Paralimpíadas Escolares e oferece um período de treinamento intensivo no Centro Paralímpico de Treinamento em São Paulo, ao lado de atletas de alto rendimento, é outro projeto. E as Paralimpíadas Universitárias, que reúne atletas com deficiência matriculados em instituição de ensino superior reconhecidas pelo Ministério da Educação, fecham este circuito.

Só após este estágio é que os atletas que tem vocação passam para o esporte de alto rendimento, no qual o Centro de Treinamento Paraolímpico Brasileiro, em São Paulo, é o principal polo de preparação. “É o quarto maior centro de treinamento de paradesporto do mundo”, diz Hervey. Desde sua criação, em maio de 2016, até dezembro do ano passado, permitiu a preparação de 33.165 atletas, muitos dos quais medalhistas olímpicos.

Apesar de todos os programas e estrutura oferecidos, o superintendente do CPB diz que ainda falta o essencial para consolidar de vez o esporte paralímpico brasileiro. “Precisamos de políticas públicas, políticas de estado efetivas para um percentual muito grande da população brasileira”, avalia. “Hoje, 76% da população de pessoas com deficiência não tem nada”. Por isso, acredita ele, manter o Brasil no clube das dez nações que mais conquistam medalhas nas Paralimpíadas é um grande desafio.

O esporte paralímpico nasceu pelas mãos de um médico chamado Ludwig Guttmann, neurologista que foi um pioneiro no uso do esporte para reabilitação física de pessoas portadoras de deficiência (veja aqui um breve documentário sobre ele, em inglês).

Participaram da reunião semanal do Espaço Democrático o jornalista Eduardo Mattos, assessor de Comunicação/Scriptum; a secretária do PSD Mulher, Ivani Boscolo; os gestores públicos Januario Montone e Junior Dourado; o superintendente do Espaço Democrático, João Francisco Aprá; o economista Luiz Alberto Machado; os cientistas políticos Rogério Schmitt e Rubens Figueiredo; o jornalista/Scriptum e coordenador de Comunicação do Espaço Democrático, Sérgio Rondino; e o sociólogo Tulio Kahn.


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